Toy Boy revela dados de seu faturamento e diz que vendas da Semana da Criança e Natal foram semelhantes
Varejista carioca diz que é preciso mostrar a força dos especializados com transparência de números e ‘cutuca’ algumas marcas tradicionais, por quebra de fornecimento e entregas fora do prazo.

@Toy Boy/Divulgação
Fachada de loja da rede carioca Toy Boy.
Para Júlio Ezagui, lojista especializado do Rio de Janeiro, as vendas da Semana da Criança e do Natal “apresentaram comportamentos muito semelhantes. Observou-se um movimento com ticket médio menor, clientes buscando principalmente lembrancinhas e deixando as compras para a última hora. Esse comportamento foi intensificado pelos atrasos nas entregas do e-commerce, agravados pela greve dos Correios. Muitos consumidores não receberam as compras feitas on-line, o que acabou beneficiando as vendas nas lojas físicas nos últimos dias.”
Segundo o dono da Toy Boy, que possui 17 lojas na capital fluminense e Niterói (RJ), “em comparação ao ano passado, registramos um crescimento nominal de 1%. No entanto, esse índice não representa crescimento real, considerando uma inflação mínima estimada em 7% no período.”

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Varejista mostra a listagem das empresas fornecedoras que se destacaram em vendas no período da Semana da Criança e Natal.
A Toy Boy diz que foram realizadas ações promocionais, que ocorreram exclusivamente via Instagram, sem campanhas muito específicas. “Neste momento, o foco principal esteve direcionado ao abastecimento das lojas e à qualidade do atendimento”, fala o lojista carioca.
Ezagui fala das tendências de produtos e comportamento do consumidor no final do ano revelando que “em nossa rede, composta por 17 lojas no Rio de Janeiro e Niterói, não foi identificada uma tendência clara relacionada a licenças, marcas ou brinquedos específicos. A grande surpresa foi — e continua sendo — o sucesso da Capivara, que chegou a impactar negativamente as vendas do Stitch, mesmo com todo o apoio da Disney e sendo o filme do ano. Esse cenário reforça a percepção de que os filmes já não conseguem mais gerar “febres” de longo prazo como no passado, quando impulsionavam vendas por até 24 meses.
O principal diferencial percebido pelos clientes foi a variedade de produtos, com opções de preços acessíveis para todos os bolsos.”
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Rede Toy Boy divulga valores de faturamento no período da Semana da Criança e Natal em 2025.
“O ano eleitoral, bastante polarizado, gera insegurança nos consumidores, especialmente naqueles com maior poder de compra. Observa-se um comportamento mais contido e cauteloso. Um fato inédito chamou a atenção: em diversas lojas, clientes compareceram com presentes recebidos ao longo do ano para realizar trocas e montar novos presentes. Apesar do atendimento ser feito com o mesmo cuidado, essas operações não geram remuneração para os vendedores, o que afetou emocionalmente as equipes.”
Julio Ezagui critica o que ele chama de “concorrência desleal com sites estrangeiros”.
“É fundamental que entidades representativas do setor, como ABRINQ e ALBB, atuem de forma mais efetiva contra a concorrência desleal dos sites chineses, que vêm capturando uma parcela crescente dos consumidores. Esses sites recolhem basicamente Imposto de Importação (20%) e ICMS (20%), totalizando cerca de 44%.
Já a indústria nacional e os importadores arcam com uma carga tributária muito maior, incluindo IPI (6,5%), PIS (1,65%), COFINS (7,6%), IRPJ, além da obrigatoriedade de certificações de órgãos como INMETRO, ANVISA e ANATEL, que garantem segurança e qualidade dos brinquedos. Soma-se a isso o alto custo das exigências contábeis e regulatórias impostas às empresas brasileiras.”
Ainda segundo o lojista da Toy Boy, isso gera impacto na indústria nacional.
“É um absurdo privilegiar o varejo on-line estrangeiro em detrimento das empresas brasileiras e, principalmente, da indústria nacional de brinquedos. O mínimo esperado seria a isonomia de direitos e deveres. O que se vê, no entanto, é uma vantagem tributária e regulatória desproporcional para os sites estrangeiros, colocando em risco uma das poucas indústrias ainda fortes no país.
Para ele, acima de tudo é preciso dar valor do varejo físico para as crianças.
“Por fim, é importante valorizar o varejo físico brasileiro. As famílias estão perdendo um dos maiores prazeres da infância: a experiência de ir a uma loja de brinquedos. Esses espaços oferecem um encantamento único, com atmosfera lúdica que estimula a criatividade, o poder de escolha e até o desenvolvimento da personalidade da criança ao escolher seu próprio brinquedo.
Em suas considerações, Julio Ezagui ainda declarou que “é preciso acrescentar que as quedas nas vendas vêm se acentuando com a baixa natalidade. Outro fator que está também complicando a vida do varejo e da indústria de brinquedos e nunca mais voltaram aos números que nem em 2015.”
“Outra coisa que podemos citar, é mostrar o caso da Mattel, que mesmo sem nos fornecer há mais de 1 ano, conseguimos manter as vendas nos mesmos valores e com margens muito mais saudáveis.
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Julio Ezagui, empresário carioca da rede varejista Toy Boy.
Para finalizar, Julio Ezagui faz ainda uma reclamação, após apresentar os números de sua rede de lojas.
“Esses Foram os fornecedores que mais se destacaram neste Natal, e se percebe a Estrela que caiu muito devido a problemas logísticos, que resultou a chegada dos produtos de nosso pedido feito em outubro, só entregaram em janeiro depois do Natal.”
