EMPRESA  
Brinquedos sem gênero puxam evolução da empresa gaúcha Xalingo
Bloquinhos de madeira da Xalingo já apresentavam um menino e uma menina brincando na embalagem há 70 anos; empresa investe 10% do faturamento em linha sem gênero

No final da década de 60, um dos brinquedos mais populares do país já estampava em sua embalagem um menino e uma menina brincando com bloquinhos de madeira. Sessenta anos depois, a empresa responsável pelo lançamento do clássico de várias gerações, a Xalingo, segue atenta às mudanças na sociedade. Às vésperas de completar 70 anos, a empresa de Santa Cruz do Sul (RS) procura acompanhar a evolução tecnológica e comportamental investindo na ampliação da linha sem gênero. "Pretendemos lançar mais de 70 produtos e trabalhar para o crescimento da linha (sem gênero) que hoje representa 10% do faturamento", revela Tamara Campos, gerente de marketing da Xalingo.
Com um catálogo com mais de 650 produtos e um faturamento que chegou aos R$ 110 milhões em 2016, conta com uma ajudinha de fora do Brasil para aumentar a diversidade do seu portifólio. Além dos brinquedos educativos que marcaram seu nascimento, o universo lúdico ganhou espaço e os licenciamentos também.

Clássico de gerações, o Brincando de Engenheiro trazia menino e menina na embalagem há 60 anos. Embalagem dos bloquinhos de madeira contava com menino e menina também na década de 80

Segundo Tamara, marcas de fora como Disney, Mattel, Marvel, impulsionam esse mercado. "Na nossa linha que imita o real já tínhamos brinquedos em cores neutras. Mas quando a Disney lançou Frozem e o personagem pegou, licenciamos os produtos que vinham na cor azul e isso deu abertura de mercado", diz. As panelinhas azuis caíram nas graças das mães. No entanto, os pais ainda eram responsáveis pelo maior número de reclamações que chegavam a empresa. "90% das mães elogiaram, mas 90% dos pais reclamavam. O impacto ainda é grande em itens que imitam o real. Na linha de playground e de esportes, os escorregadores, por exemplo, têm cores neutras. Mas quando chega nas panelinhas, na geladeira, as cores ainda geram muito impacto", explica.

Ao longo das décadas, brinquedos passaram ser fabricados em diferentes materiais para estimular as crianças. Na década de 70, brinquedos da Xalingo já eram identificados por cores neutras, sem distinção de gênero nas linhas de lazer
Pega varetas. Embalagem da década de 70 de um clássico brinquedo infantil resiste ao tempo

EVOLUÇÃO DOS BRINQUEDOS
Ao longo das décadas, brinquedos passaram ser fabricados em diferentes materiais para estimular as crianças.
Clássico - Os bloquinhos de madeira que compõem o "Brincando de Engenheiro", um dos primeiros brinquedos lançados pela marca, é um bom exemplo da sua política de evolução. "Desde a primeira embalagem ele já era identificado com duas crianças, também tinham bloquinhos de madeira rosa. Já foram vendidos mais de 8 milhões de cópias desde o lançamento. E até ele recebe reclamações por causa do nome…". Segundo Tamára, ainda existem reclamações em relação ao nome do produto estar no masculino.
Além da questão de gênero, a tecnologia no desenvolvimento dos brinquedos também ganha atenção. "Modernizamos nossas linhas, até mesmo o Brincando de Engenheiro (hoje com peças de plástico além das de madeiras), mas sempre com um olhar educativo, onde a criança pode testar formatos, texturas, dimensões", diz a gerente.

Primeiros triciclos da Xalingo foram lançados na década de 60. Triciclos seguem fazendo sucesso e já divertiram muitas gerações. Versão atual mantém cores neutras para meninos e meninas
Fundada em 1947, a Xalingo iniciou com foco em brinquedos educativos. Linha lúdica surgiu anos depois. Brinquedo agora tem peças também em plástico para estimular o reconhecimento de formas e texturas

Interatividade também têm espaço - Lousas, quadros e apagadores ainda fazem a cabeça das crianças. Mas hoje a marca também oferece aplicativos para que os pais ajudem os filhos na montagem dos brinquedos e na realização das brincadeiras. "A questão da tecnologia preocupa os pais. Mas muito mais por uma confusão do que eles querem. Fazemos muitas pesquisas e análises dos produtos. Eles só são contrários a ela (tecnologia) quando não há estímulo, como dar um telefone ou tablet para a criança brincar sozinha. Quando há interação entre eles, a coisa muda e eles sentem participando mais ativamente das brincadeiras dos filhos", finaliza.

Com informações:
O ESTADO DE S.PAULO

 


 

 
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